segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ocupação Terreirada

Amigos, bons dias.

A mais de 3 anos todos os finais de semana agente vem desenvolvendo o projeto Terreirada Cearense, apresentando música de qualidade, nosso trabalho e grandes clássicos da música brasileira! De Elomar a Hermeto Pascoal, músicas da cultura popular tradicional, e também, contemporânea! Recebendo os amigos, formando platéia, realizando uma gestão pra o nosso espaço, que contemple a festa e a diversão, mas sempre com poesia, amor e carinho! Pensando no mundo, nas pessoas, política, meio-ambiente, espiritualidade, educação e claro, cultura e desenvolvimento!

Não é facil pessoal... Pois o mundo todo e a lógica do mercado atual infelizmente são contra esses princípios todos.
Em nosso espaço, tentamos manter o sentimento de terreiro, de brinquedo, onde se confunde samba e forró, como festa! Apresentando temas e ritmos de forma sempre mais diversificada.
Hoje, temos o prazer de estarmos firmes com esse projeto, sempre crescendo e trazendo alegria pra pessoas! Pra nós mesmos do grupo e pra o público maravilhoso que circula em nossa festa!

Além de tudo ainda temos uma novidade! :) A partir da semana que vem iniciaremos uma ocupação do espaço da Terreirada, também nas sextas-feiras! Onde circularão grupos da cena contemporânea do Rio e de outros lugares que estejam aqui de passagem! Cada sexta terá uma cara. E quem comanda essa nave é a galera da Etnohaus!

Dia 13/04 com a Banda mohandas;
Dia 20/04 será o Bailijesá com Grupo Maracutaia;
Dia 27/04 tem a Tupiniquim Jazz Orquestra.

Mais pra frente vamos receber vários outros grupos e artistas (não só músicos) que estão juntos de nós nessa mesma labuta!

A "Terreirada Cearense" e a edição especial "Cariri" continuam normalmente aos sábados!

Essa nova iniciativa é uma parceria da Etnohaus com a Terreirada Cearense, juntamente com vários outros amigos que circulam nesse nosso meio. Temos o apoio do Semente da Música Brasileira e principalmente de vcs, o nosso público querido! Que vem transformando o mundo junto com a gente!

Abraços!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Agenda da Semana - Estúdio Móvel e Nova Lapa Jazz!

Bom dia, pessoas!

Hoje eu meu grupo estaremos gravando o Estúdio Móvel na TV Brasil!
Geraldo JuniorEduardo KarrankaBeto LemosCláudio LimaGabriel Pontes e Rubens Leite.
Em breve divulgaremos o dia que o programa irá ao ar!

E ainda nessa quarta-feira teremos o prazer de abrir o show do Nova Lapa Jazz, aqui na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro!



Também queria aproveitar e agradecer a todos pela linda Terreirada Cariri desse mês! Dia 28 de Abril estaremos de volta! Já com a ilustre presença de Dudé Casado, compondo o grupo!

Abraços,
Geraldo Junior e Grupo.




domingo, 29 de janeiro de 2012

Agradecidos

Amigos amores, amados, paixões e casos!

Queria agradecer mais uma vez pela linda Terreirada de ontem! Que público fantástico! A nossa banda da Terreirada! As participações especiais, maravilhosas! Luiza SalesMiguel Fridman GarciaIrineu FernandesYuri Villar,Márcia GuzzoKarina Neves, Romulo Frazão! Entre outros de sempre! As novas parcerias com Aline Brufato e o Semente da Música Brasileira!


Essa história começou com Elizabeth FernandesPaloma Fraga, Isabel Viana, Ranier Oliveira,Flauberto Gomes, e tantos outros parceiros! Essa galera tem todos os méritos do que somos hoje! Desde Grupo Tá Na Rua, com o Cigano, (rsrsrs) o CTO, Casa Gira Mundo... E vamos seguimos caminho! Cada vez mais desenvolvendo um trabalho mais amplo, muito além do forró! Passeando pela música brasileira e universal! Inovando sem perder a essencial da nossa música, no terreiro, dos folguedos, da celebração da vida!

Vem aí o carnaval e teremos a Terreirada à Fantasia, em março ja voltamos com a Terreirada Cariri, e ainda esse semestre iniciaremos a Terreirada especial, mensalmente, em uma espaço ainda maior com convidados e tudo! Salve o Ceará, meu Cariri, e salve o Rio de Janeiro! Isso é Brasil!

Atualmente somos: Julia Guimaraes, Geraldo Junior, Beto LemosGabriel PontesCláudio Lima,Joana Araujo e Felipe Rodrigues! Mas passaram por aqui e deixaram sua contribuição: Filipe MüllerMarcelo Müller,Flauberto Gomes, Ranier Oliveira, Luiza Sales, Francisco Gomide, Maria Gomide, João Bittencourt e tantos outros, também!

É isso, vim dizer aqui que nada é graça! Essa construção é como qualquer outra coisa na vida na qual agente se doa! Tem amor e carinho, seja um jardim, uma poesia, uma canção, um Terreiro... Hoje vamos colhendo as flores plantadas por cada um de vcs! Principalmente o público!

Tenho orgulho em repetir:

- Somos uma festa independente, um espaço alternativos! Desenvolvemos aqui uma expressão artística, não apenas uma reprodução da música de mercado ou da cultura de massa! Isso é uma conquista! Que venham muitos outros anos pela frente! 

Amigos, somos agradecidos por vcs escreverem essa história conosco!Continuem compartilhando literalmente, digitalmente, fisicamente, espiritualmente, essa alegria com agente!


Beijos e abraços,


Terreirada Cearense!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Faça o Download do álbum WARAKIDZÃ!

WARAKIDZÃ, o novo álbum do cantor, compositor e instrumentista Geraldo Junior, já está disponível pra download! O disco só será lançado fisicamente em  março, mas nesse link abaixo você já pode conferir todas as músicas desse novo trabalho!



O disco foi gravado no Estúdio Making OF Records no Rio de janeiro com Fábio Mesquita e também e no Ibbertson Estúdio no Crato CE e EtnoHaus - Rio de Janeiro.
Edição no Na Goma Estúdio São Paulo, e Mixagem e Masterização no Estúdio Zabumba no Cariri em Nova Olinda CE. Tudo com o grande André Magalhães.

Banda:
Geraldo Junior: Direção, voz, vocal, flauta, trompete e percussão
Beto Lemos: Arranjos, violão, viola, rabeca, violoncelo e vocal
Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal
Ranier Oliveira - Teclado, piano e sanfona
Eduardo Karranka: Guitarras e vocal
Cláudio Lima: Bateria e vocal
Filipe Müller: Vocal e baixo

Projeto Gráfico:
Luiz Eduardo Bonifácio

Fotos:
Joa Azria
Thailyta Feitosa

Participações especiais:
Kiko Horta - Sanfona
Joana Queiroz - Clarinete
Jonas Correa - Trombone
Eduardo Santana - Trompete
Marco Bz - Percussão Efeitos
Jefferson Gonçalves - Gaita
Fábio Mesquita - Baixo
Marcelo Müller - Baixo
Ranier Oliveira - Sanfona
Diogo Jobim - Sintetizador e Microkorg Kaospad

Salve o compartilhamento! La Cumbuca.

Outro blog disponibilizando o Warakidzã!

http://www.lacumbuca.com/2012/01/lancamentos-nacionais-de-2012-parte-02.html

Abraços, pessoal!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

6 de janeiro - Dia de Reis


Pessoal,

Hoje é dia 6 de janeiro! Dia de Reis! Uma das datas mais importantes do calendário de nossa cultura! É o encerramento das festas do ciclo natalino. Infelizmente em nossa região, praticamente inexiste gestão pública que trabalhe, na realidade, a grandeza desse dia... Mas, quem quiser acompanhar um pouco das festas haverão excelentes oportunidades com vários grupos se apresentando! E claro, principalmente, lapinhas, e reisados tirando divinos e brincando quilombos!

Além dos grupos brincando nas ruas, vcs podem conferir:

Festa no Sitio Correntinho em Barbalha.

Festa no Terreiro do Mestre Aldenir na Pedra do Joelho na Ladeira do Horto em Juazeiro do Norte.

Festa no Terreiro do Mestre Cirilo na Vila PE Cícero no Crato.

Eu estarei tirando Quilombo com o Reisado dos irmãos, a partir das 09 da manhã, saindo do João cabral e tomando rumo aleatório pelas ruas da cidade e retornando pra sede do grupo onde está o montado o trono. Depois disso, tem uma programação no SESC Crato que será finalizada com um show meu juntamente com Ranier Oliveira, Flauberto Gomes e Junior Casado! Tocaremos minhas músicas, forrós e peças de reisado!

O nosso show acontecerá as 20h, mas, a programação terá inicio pela manhã e pode ser conferida aqui na internet e no face.

Salve o dia de Reis!!!

Abraços,

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Geraldo Junior - Warakidzã


Novidades no Trama Virtual!

Já conferiu o novo disco de Geraldo Junior e Grupo? Conheça o álbum Warakidzã.

http://www.tramavirtual.com.br/geraldo_junior
























O CD será lançado após o carnaval! 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz futuro novo!

Pessoas!

Agradeço o carinho de todos! Os votos de paz, amor felicidade, luz... Bem, não estamos aqui conectados a toa, não é?! Faço desse elo virtual, o mais verdadeiro possível!

Como na realidade, tudo o que não existe de bom, aqui e la fora, podemos transformar ou inventar.
Todos falamos sobre mudança, tudo bem que essa data (ou qualquer outra que estipularmos) realmente possa simbolizar o inicio de uma transformação na humanidade, mas, de nada adiantará crer em tal mudança se não a começarmos pelo lugares mais difíceis, como: nossas mentes, espíritos e corações.
A responsabilidade é primordialmente de quem tem a consciência.
Pra mudar o mundo, comece mudando a si mesmo. Para melhor.


Feliz futuro par todos!



Abraços,


Geraldo Junior e Grupo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Lançamento Virtual do CD Geraldo Junior - Warakidzã

O disco foi gravado no Estúdio Making OF Records no Rio de janeiro com Fábio Mesquita e também, no Ibbertson Estúdio no Crato CE e no Estúdio da EtnoHaus - Rio de Janeiro. Editado no NaGoma Estúdio - São Paulo SP.  Mixado e Masterizado no Estúdio Zabumba no Cariri em Nova Olinda CE por André Magalhães.

Nesse novo momento a temática das letras se aprofunda ainda mais nas raízes do povo cariri, suas lendas, personagens e historia. Ao mesmo tempo em que Geraldo e seu grupo apresentam essencialmente um trabalho com referencia a cultura do Cariri, o disco segue com uma abertura maior pra outras influencias que são facilmente identificadas: Timbres eletrônicos, guitarras com efeitos, distorções e ambiências, etc.





















O trabalho segue uma trajetória evolutiva desde o primeiro disco, Dr. Raiz (de 2005) e Calendário – O Tempo e o Vento (de 2007), processando e assimilados outras influencias, sempre a partir da sua identidade cultural. O CD Warakidzã (2011) apresenta-se maduro e equilibrado entre todas as suas mais diversas e contrastantes influencias, que vão desde as tradicionais até as mais contemporâneas.

A formação conta com teclado, bateria e guitarras, alem da sanfona, viola, rabeca, flautas e percussões. Timbres e efeitos sugerindo um clima um tanto psicodélico.

Geraldo Junior: Direção, voz, vocal, flauta, trompete e percussão
Beto Lemos: Arranjos, violão, viola, rabeca, violoncelo e vocal
Ranier Oliveira: Sanfona, teclado, violão, baixo e vocais
Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal
Eduardo Karranka: Guitarras e vocal
Cláudio Lima: Bateria e vocal
Filipe Müller: Vocal e baixo















O álbum ainda conta com a participação especial de grandes nomes da nossa música:

Kiko Horta - Sanfona
Joana Queiroz - Clarinete
Jonas Correa - Trombone
Eduardo Santana - Trompete
Marco Bz - Percussão Efeitos
Jefferson Gonçalves - Gaita
Fábio Mesquita - Baixo
Marcelo Müller - Baixo
Diogo Jobim - Sintetizadores

Projeto Gráfico:
Luiz Eduardo Bonifácio

Fotos:
Joa Azria
Thailyta Feitosa

- Não posso deixar de agradecer a todos os amigos, parceiros e companheiros de trabalho que estão comigo de uma forma ou de outra desde o Dr. Raiz, passando pelo Calendário (O Tempo e o Vento), e também, todos os que ainda farão parte desse bonde daqui pra frente! 

Salve, amigos!
Agradecido a todos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Geraldo Junior no Encontro de Mestres do Mundo

Oi pessoal!

Sexta, dia 02 de dezembro, eu e meu grupo estaremos nos apresentando no Encontro de Mestres do Mundo em Limoeiro CE!

Todo mundo lá!

Abraços,
Geraldo Junior e Grupo.


MÚSICA CARIRI

Geraldo Júnior traz em seu trabalho a essência da cultura de sua região, e utiliza esses elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.

No repertório, músicas dos álbuns: Warakidzã - 2011, Calendário - 2007 e Dr. Raiz - 2005.

Geraldo Junior: Voz, flauta, trompete, percussão e performances
Ranier Oliveira: Violão, sanfona, teclado, baixo e vocal
Ramon Oliveira: Guitarra, violão, baixo e vocal
Dudé Casado: Giutarra, violão, baixo e vocal
Flauberto Gomes: Percussões e e vocal
Rodrigo Moura: Bateria e vocal

+ Informações:
(21) 8250 8346

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Geraldo Junior - Um Caboclo de Asas



Alexandre Lucas - Quem é Geraldo Júnior?

Geraldo Junior - Sou um Cariri, filho de Geraldo Freire e Zilmar Batista! Sou um privilegiado por ter nascido nessa região tão rica e bela e sou muito feliz pelos amigos que tenho! Hoje vivo em transito, acho isso normal, é uma necessidade da minha labuta, queria pode estar entre aqui e lá mais vezes, mas o teletransporte ainda não foi popularizado, por enquanto tenho que me contentar com visitas semestrais! A internet ajuda muito a manter esse contato e de certa forma nunca sair do cariri, pois ele está dentro de mim! Me expresso artisticamente através dessa lente! Tento estar conectado com o mundo real e virtual além-sertão, além-mar, além-céus!

Alexandre Lucas - Você da poesia?

Geraldo Junior - Não tenho a ousadia de me considerar poeta! Humildemente descrevo alguns sentimentos e sensações que vivi e vou vivendo por aí, o que se torna música ainda é um tatinho mais elaborado rsrsrs, mas a musicalidade de minhas palavras é empírica. Gosto de ler e viver tudo que absorvo! Mantenho dois blogs! o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escrevo em relação a região. Este segundo precisa ser atualizado. Farei isso esses dias...

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Geraldo Junior - Ainda criança! Meus pais me deram boas pisas e referencias de caráter! Boa música! Estórias de meus pais, tios e outros familiares, as viagens pra Caririaçu no sitio de nossa família! Os reisados nas ruas, as bandas de pifano! As romarias… Ai uma vez invetei de entrar na fanfarra do Colégio Municipal de Juazeiro! Aí pronto! Toquei, piston, cornetão, lira, tarol, surdo, bumbo… Depois comprei uma guitarra! E foi aquela revolução na minha vida! rsrsrs
Com os amigos da escola colocamos uma banda de rock, e logo em seguida tivemos o grupo Dr. Raiz, nesse meio tempo estive envolvido e fiz várias oficinas de teatro e musica de cena! Hoje prestes a completar 32 anos, acho, considero que tenho 15 anos de carreira! E ainda continuo correndo muito! rsrsrs

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, dentre tantos nomes que eu poderia citar da música brasileira e universal, que são óbvios, e claramente perceptíveis, prefiro falar de artistas e grupo do meu lugar, e que me dão identidade! Todos os mestres e grupos de cultura popular da região! Esse conhecimento junto com toda a cultura popular do cariri! São a essência do meu trabalho! As influencias… É tudo que se possa imaginar, até o que "não presta" e o que "não gosto"! rsrsrs mas sempre sem perder la ternura! Jamais!

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Geraldo Junior - Como falei antes! Comecei, desde quando passei a ter uma idéia e percepção do mundo onde estava inserido! Sempre escrevi, logo cedo comecei a cantar e tocar brincando, até que ficou mais sério! Muita coisa devo aos meus companheiros de trabalho como a banda Dr. Raiz, e todos que por nela passaram! As viagens que fizemos juntos, a minha não tão breve passagem pelo meio acadêmico no curso de letras da URCA (ainda pretendo voltar), minha ex-companheira, Dane, me ensinou muita coisa sobre produção! Sobre arte, sobre a vida. Muito do que sou hoje devo especialmente a ela, a qual tenho muito carinho! Os trabalhos que fiz com os grupos de cultura popular da região, sempre como vivência ou troca, amizade mesmo… nunca quis estar com um gravador ou um caderninho anotando… Acho isso importante, mas, preferi estar apenas do lado mesmo. Tenho muito carinho por todos e sou feliz porque sei que isso é reciproco! Nomes como Zabumbeiros, Abdoral, Salatiel, Luiz Fidelis, Luciano Brayner! Entre tantos outros me são referencia! Considero o Dr. Raiz meu 1º disco! Com muito orgulho. Depois fiz o calendário com uma rotatividade maravilhosa de músicos gravando e tocando! Darlan, Cicero Tertuliano, Antonio Queiroz, Flauberto Gomes, Maria e Francisco Gomide, Ranier Oliveira, Genival do Cedro, Lifanco e Rebeca e Joana Queiroz! E claro, o excepcional Beto Lemos, meu grande parceiro, arranjando e tocando varias coisas! Ibbertson Nobre também foi muito importante nesse processo! Aprendemos muito com ele! Salve!
Atualmente estou finalizando o meu novo disco que tem como nome provisorio "Warakidzã - Senhor do Sonho"o disco se aprofunda ainda mais nas raizes ancestrais do povo cariri com suas historias, personagens e lendas! O novo album além dos sons mais tradicionais, também traz uma sonoridade um tanto psicodélica, onde timbres de guitarra e efeitos eletrônicos serão percebidos mais de cara! Pretendo lançar até novembro. A formação da banda, ja é uma galera de vários lugares que conheci aqui no Rio, grandes parceiros! Se não fosse essa galera não teria como estar com esse novo trabalho: Beto Lemos e Ranier Oliveira - Cariri, Filipe e Marcelo Müller - Rio Grande do Sul, Gabriel Pontes - Rio de janeiro, Eduardo Karranka e Cláudio Lima - Bahia e ainda mesmo não gravando, pessoas que tem me acompanhado nos shows: Joana Araujo - Maranhão, Ricardo Miranda - Cariri, Abu - Bahia e por aí vai!

Alexandre Lucas - Você participou da Sociedade dos Cordelistas Malditos?

Geraldo Junior - Participei sim! Foi um momento de muito aprendizado! Infelizmente como cordelista de fato, sou um fiasco! rsrsrs mas minhas letras inevitavelmente passam pelas métricas dos folhetos e cantorias! Algumas delas são escritas mesmo na métrica dessa escola!
Salve meus amigos da SCM desde os seus primórdios ainda no circulo de leitura do SESC Juazeiro! Abraços em todos!

Alexandre Lucas - Como você caracteriza seu trabalho?

Geraldo Junior - Música Cariri. Música regional plugada no universo!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Geraldo Junior - Olhe, a política pode ser uma arte, como qualquer outra coisa que um ser desenvolva. A arte também pode ser política ou não. A minha naturalmente, geralmente é, às vezes não. Não me prendo a isso. O que crio, só desconfio ou descubro o que é quando já é por si só, em todos os aspectos.
Contudo, vejo com fundamental importância, ser politizado. Infelizmente hoje o termo esta bastante desgastado, né?!… E pra não confundir prefiro chamar de politicagem, o que acontece de negativo em relação a este assunto. Que pra não fugir do tema, por hora, prefiro falar com brevidade.

Alexandre Lucas - O seu trabalho vem se expandindo pelo Brasil?

Geraldo Junior - Bastante! E agora felizmente, também pelo exterior! Já toquei em várias regiões do país e mesmo onde ainda não fui fisicamente, meu trabalho já foi até lá por conta dos meio virtuais! A internet é uma ferramenta fundamental e maravilhosa pra difusão da música, se comunicar com os amigos, os fãs, (hoje é quase a mesma relação) gosto de manter contato com todos e tenho muito carinho por isso. Toma tempo, claro, mas sou bastante recompensado pelo tempo que dôo a isso! Esse ano fui a Coimbra num evento maravilhoso da universidade em parceria com o SESC. Lá fizemos vários contatos e já existem propostas pra voltar em breve!

Alexandre Lucas - Recentemente você esteve em Portugal. Fale desta experiência.

Geraldo Junior - O evento foi a "Mostra SESC Luso-brasileira de Culturas"! E contou com artistas brasileiros, especialmente do ceará, e também de grupos portugueses! Foi um importante intercambio, lá estive com meus colegas do Dr. Raiz, mais outros queridos como Franklin Lacerda, Ermano Morais, Os Anicetos! Imagina essa cambada no velho mundo?! Rapaz, junto com o pessoal de lá do além-mar! Foi um carnaval! Momento muito belo de força e poesia!

Alexandre Lucas – O que representa a música na sua vida?

Geraldo Junior - Música é minha vida. É o que sei fazer, sem arte minha vida não tem sentido.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, eu não canto qualquer coisa por cantar, sempre busco ter poesia em meu trabalho e fazer as pessoas se sensibilizarem. Direta ou indiretamente minha música questiona a realidade. É minha forma de contribuir com a sociedade. Cada apresentação pra mim é um ritual. Não é simplesmente uma situação de subir ao palco, é mais de cantar e dançar louvando a vida. Estar em conexão com todos. Como um folguedo, dar as mãos e brincar, se conectar com o encantado. Se deixar de estar ligado no presente, na realidade...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Geraldo Junior - Hahaha tenho que me organizar, tenho embrionado um trabalho cênico solo, e ainda pretendo gravar um DVD, Um Disco de poesias, um outro só com musicas da cultura popular tradicional pra todas as idades, mas principalmente, pensando no público infantil, e outro disco só cantando compositores da região com nomes que já citei acima!

Fora isso to sempre compondo! Eu sonho muito! Viajo sempre! hihihi

Não sei se terei tempo pra tudo isso! Mas vamos em frente!

Por fim, posso dizer que estou vivendo um momento feliz, e sou orgulhoso em poder levar o nome e a cultura da minha terra, do meu povo, pra o mundo conhecer!


Site:
http://www.geraldojunior.com.br/

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

TERREIRADA CARIRI

Sérgio Azenha
Especialmente, no penúltimo sábado de cada mês, na Casa Gira Mundo, TERREIRADA CARIRI!

GERALDO JUNIOR E GRUPO
+ discotecagem de música universal

MÚSICA CARIRI
O trabalho de Geraldo Júnior desenvolveu-se na região do Cariri como um aglutinador das artes populares, utilizando elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.
A banda conta com teclado, bateria e guitarras, alem da sanfona, viola, rabeca, flautas e percussões. Timbres e efeitos sugerindo um clima um tanto psicodélico.

Lili Rodrigues
O GRUPO
Geraldo Junior: 
Voz, flauta, trompete, percussão e performances
Beto Lemos: Violão, viola, rabeca, celo e vocal
Filipe Rodrigues: Violão, baixo, cavaquinho e vocal
Gabriel Pontes: Sax tenor, soprano, flauta e vocal
Ranier Oliveira: Sanfona, piano e vocal
Eduardo Karranka: Guitarras e vocal
Francisco Gomide: Percussões
Cláudio Lima: Bateria e vocal


No repertório, músicas dos álbuns: Warakidzã - 2011, Calendário, 2007 e Dr. Raize - 2005, e ainda, músicas dos grupos de cultura popular tradicional do Cariri. Performances de teatro e dança entremeando o espetáculo, tudo isso com os arranjos da nova formação da banda, formada por músicos de várias regiões do pais, radicados no Rio de Janeiro!
O CARIRI
...Afirma a tradição que o Cariri era o território mítico de Badzé - o deus do fumo e civilizador do mundo. No principio era a Trindade: Badzé era o Grande - Pai. Poditã era o filho maior e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor...
A região do Cariri cearense é um oásis, o verde coração do semi-árido nordestino, com uma grande quantidade de grupos e mestres de cultura popular tradicional; Reisados, lapinhas, pastoris, bandas cabaçais, forró pé-de-serra, maracatu, coco, maneiro-pau, embolada e cantoria. Centro geográfico com eqüidistância para as principais capitais do Nordeste, desde meados do século XVII até os dias de hoje, continuam a chegar multidões sertanejas, em um fluxo constante, atraídas pela fertilidade e pela sagração do território como espaço mítico.
Rosemberg Cariry


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Matéria no Site "Rio com Ela"

Do Cariri para o mundo: Geraldo Júnior
Por: Laila Sena

Uma vez me falaram do Geraldo Junior, disseram que ele fazia um som rural, bem enraizado lá no Nordeste. Eu, que não sou boba nem nada e adoro o som “lá de cima”, fui conferir e achei que esse moço, vindo de Juazeiro do Norte, merece respeito!

Pra quem não sabe, o Cariri cearense é um coração verde do semiárido nordestino e extremamente desenvolvido artisticamente, com uma grande quantidade de grupos de mestres de cultura popular, como reisados, bandas cabaçais, forró-pé-de-serra, coco e cantoria.
Foi no meio disso tudo, nessa embolada cultural, que Geraldo decidiu ser um aglutinador das artes populares através do olhar contemporâneo, e fazer uma mistura das influências da música popular brasileira e do mundo.


Geraldo já é do Brasil todo! Ganhou prêmios em festivais e já se apresentou em estados como Mato Grosso, São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Alagoas, entre muitos outros. Depois de excursar por aí, Geraldo decidiu morar aqui no Rio pois se encantou pela cidade: “tive oportunidade de conhecer uma galera do Rio, uma outra de vários outros lugares, e acaba que você experimenta um novo olhar sobre a sua identidade, outra cultura. Esse foi o maior presente que o Rio de Janeiro me deu”.

Geraldo Junior e sua banda: Só sorrisos pelo Rio

Mesmo andando por aí com a banda, Geraldo gosta mesmo é de voltar para o Sertão e tocar por lá. Sua banda utiliza elementos tradicionais como ferramenta para fundir todas essas linguagens. A misticidade que gira em torno do imaginário popular, é apresentada nos diversos aspectos que envolvem o espetáculo, performances munidas de figurino característico, que representam suas tradições, lendas, folguedos, história e personagens locais.

Quando não está viajando, a galera de Geraldo se apresenta todo fim de semana na Lapa com a Terreirada Cearense, com muito forró, coco, samba e choro de grandes nomes do cancioneiro regional. Para conhecer um pouco mais de sua história, música e os locais das Terreiradas, Geraldo disponibiliza tudo aqui. E ainda tem um blog, o Caboclo de Asas, onde Geraldo coloca suas lindas poesias, todas a partir do seu cotidiano, seja no Rio ou Cariri, tem espaço para tudo.

Confira a matéria original no link abaixo:
http://www.riocomela.com.br/index.php/2011/09/14/do-cariri-para-o-mundo-geraldo-junior/ 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lá da Montanha: JANGADA

Lá da Montanha: JANGADA: "Vou fazer uma jangada que navegue pelo vento e desbravar os sete ares que nos céus vivem suspensos" (Geraldo Junior) - http://tramavirtu...

Geraldo Junior e Terreirada Cearense, HOJE no Democráticos!




QUARTA DEMOCRÁTICA AGOSTO 2011
apresenta

31/08
TRIO REMELEXO 23h
GERALDO JUNIOR E FORRÓ DE RAIZ 1:30h

DJ SÉRGIO FEIJÓ

CLUBE DOS DEMOCRÁTICOS
R. do Riachuelo 91 - Lapa

LISTA AMIGA:
DAMAS: R$ 10 ATÉ 23h // R$ 13 ATÉ 0h
CAVALHEIROS: R$ 13 ATÉ 23h // R$ 16 ATÉ 0h
(envie seu nome completo p/ promo@quartademocratica.com até 18h de quarta)

ESTUDANTE R$ 18
PROMOCIONAL R$ 22 (P/ AS 200 PRIMEIRAS PESSOAS)

informações e reservas: info@quartademocratica.com

WWW.QUARTADEMOCRATICA.BLOGGER.COM.BR

PARTICIPE DE NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK!

QUARTA DEMOCRÁTICA
https://www.facebook.com/pages/QUARTA-DEMOCR%C3%81TICA/209575782425210?ref=hnav

APOIOS:
FORRÓ CASADINHO // RODA DE FORRÓ // FORRÓ DE SANTA // "BITTEN"www.mundobitten.com // FORRÓ DE GAFIEIRA

AGUARDEM!!
FORRÓ DE SANTA NO LAGOINHA DIA 10 DE SETEMBRO 2011.
FORRÓ DE GAFIEIRA NO CIRCO VOADOR DIA 06 DE SETEMBRO 2011.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hoje no Democráticos! Imperdível!

SEXTA, 26 DE AGOSTO, 23H

INFORMAÇÕES E RESERVAS: 21-9781-2451

www.sementedamusicabrasileira.com.br

Lista amiga R$14 - e-mail para promocaosmb@gmail.com
Mulheres até 23H30 R$10
Local: Democráticos
Rua do Riachuelo 93 Lapa
Estacionamento no Local

Já conhece nossas músicas?
Você pode ouvir e baixar os discos em sites como o Trama Virtual:
www.tramavirtual.com.br/geraldo_junior 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mais Tarde, Mais Forte - Geraldo Junior e Dudé Casado

Os dois compositores caririenses mostrarão suas novas canções no Show "Mais Tarde, Mais Forte!


O espetáculo reúne o repertório dos dois compositores caririenses, com diferentes ritmos e sonoridades, a banda também contará com a presença de novos grandes músicos da região.


Geraldo Júnior
O trabalho do cantor e compositor desenvolve-se nesse contexto como um aglutinador das artes populares, utilizando elementos tradicionais como ferramenta para fundir e resignificar todas essas linguagens através de uma leitura contemporânea.


Dudé Casado
Com um gosto eclético, sempre absorveu naturalmente várias influências de universos musicais distintos, desde a música de raiz, provinda dos grupos de cultura popular da região, até bandas como The Beatles, The Doors, Pink Floyd, Black Sabbath, Sepultura...
Sexta-feira, dia 19 de Agosto
Sesc Juazeiro do Norte às 20h
Terreiro da Mestra Margarida

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sem ou Contradições?! - Centenário de Juazeiro do Norte

A programação das comemorações do Centenário de Juazeiro do Norte, com poucas exceções, é um desrespeito ao Pe. Cícero, enquanto homem, líder natural(politico no melhor sentido da palavra) e santo! Estão fazendo uma micareta com um momento tão importante! Contradiz tudo o que ele acreditou! E olha que eu não sou radical!

Repudio tudo isso! Que pensamento retrógrado e limitado! Esses "gestores públicos" deveriam conhecer a história de pessoas como Cícero Romão Batista e a prender um pouco com eles. Talvez entendessem, o porque do Juazeiro do Norte existir e o motivo de nossa região ser tão rica em tantos aspectos! É triste a forma como ignoram os nossos maiores potenciais e conseguem usurpar, denigrir e transformar festas e eventos tradicionais em eventos politiqueiros: Festa de Barbalha, Exposição do Crato, Romarias de Juazeiro... Onde está a gestão Cultural?

Onde estão os artistas de nossa terra? O povo que o Pe. Cícero acolheu e tanto valorizou?! Não falo de nomes como o meu, Zabumbeiros Cariris, artistas vizinhos do Crato, Barbalha e demais cidades do Ceará, e também, do sertão alem fronteiras politicas! Os meninos da Casa Grande, O Carroça Mamulengos, os mestres de Cultura Popular Tradicional?! Esses artistas mereciam estar em um lugar realmente de respeito à grandeza e importância de sua de sua arte, principalmente pra o povo de nossa região?! São Chico Cesar?! Dê uma luz pra esse povo!

sábado, 11 de junho de 2011

Mostra Sesc Luso-Brasileira - Religação cultural


 Religação Cultura
Em seu último dia, a Mostra Sesc Luso-Brasileira de Culturas assiste aos reencontros entre as tradições nordestinas com suas raízes lusitanas


Com raríssimas exceções, quando um artista do Brasil fala que fez ou vai fazer uma turnê no exterior, logo se pensa: é show para brasileiro. Mas não foi o que se viu, na última terça-feira, primeiro dia da Mostra Sesc Luso-Brasileira de Culturas, na Associação Acadêmica de Coimbra, durante a apresentação da banda Dr. Raiz. O grupo musical, formado na região do Cariri, subiu ao palco pouco mais de meia-noite.
Atração do primeiro dia da Mostra Sesc Luso-Brasileira de Culturas, a banda Dr. Raiz foi reformada especialmente para o evento. Na bagagem, referências diversas, que vão do reisado ao rock
FOTOS: SÉRGIO AZENHA
A reação do público, composto basicamente por estudantes da Universidade de Coimbra, muitos ainda com livros e mochilas, era imprevisível. Afinal, tratava-se apenas de uma banda brasileira da qual, provavelmente, nenhum deles jamais tinha ouvido falar. Mas bastaram os primeiros acordes para que a plateia começasse a se entreolhar. "Este som é muito bom", admirou-se um.
Público português interagiu com atrações brasileiras da Mostra do Sesc: ecos de conexões culturais entre os dois países foram ouvidos, do lado das atrações brasileiras
Logo, estavam todos de pé, em frente ao palco, dançando e até arriscando cantar trechos das letras que eram captados na hora. A mistura de reisado, coco, forró pé-de-serra, baião, maracatu, literatura de cordel, rock, blues, teatro, dança e adereços baseados na tradição popular foi certeira. Surpresa até para os próprios integrantes do Dr. Raiz, que, a medida em que o público reagia, devolviam o carinho tocando, cantando e dançando com ainda mais vigor.

O grupo, que encerrou as atividades há dois anos, reuniu-se somente para esta apresentação. "Deu até vontade de voltar (a tocar)", brincou Ramon Saraiva, guitarra, baixo e voz. "Estávamos sem tocar desde 2009 e foi maravilhoso ter podido tocar em outro País e com uma receptividade tão boa".

Mas não foi apenas o Dr. Raiz que mexeu com Coimbra. A cidade também vai deixar marcas nos integrantes. Para Ramon, a região emana história. "Vamos todos voltar impressionados com tudo. Está sendo muito legal fazer esse intercâmbio de informações", disse. "De certa forma, a banda tem uma ligação com essa cultura europeia, que chegou ao Nordeste no tempo da colonização".

Dr. Raiz: grupo destaca ligação com a cultura europeia, de matiz popular, que chegou ao Nordeste com os colonizadores
Estrelas
Outra atração da Mostra, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto se apresentou na abertura e participa, hoje, último dia do evento, de um cortejo na Praça 8 de Maio. "Certa vez, estive na região do Cariri. A cultura apresentada na rua é uma das melhores coisas que o Ceará tem e isso nós queremos aprender", destacou o professor Carlos André, diretor geral da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, promotora da Mostra junto com o Serviço Social do Comércio do Ceará (Sesc).

É a segunda vez dos Aniceto em terras portuguesas e a terceira na Europa - eles já haviam se apresentado na cidade de Crato, região do Alentejo, e na França. "Gostei mais daqui de Coimbra, é mais bonita. Esse Crato deles também é bonito, mas aqui é mais. E a França, tirando a Torre Eiffel, não tem mais nada", opina mestre Raimundo Aniceto, 76 anos, como quem já está acostumado a viajar. Hoje, a banda não é mais somente do Crato, é do mundo, costuma dizer ele.

Segundo os cálculos dos integrantes, a banda tem 174 anos, já está em sua quarta geração e não dá qualquer sinal de cansaço. O trabalho foi iniciado pelo pai, José Aniceto, que faleceu aos 104 anos. Mas não sem antes ver o sucesso dos filhos. Em meados da década de 70, já na casa dos 100, embarcou rumo a Porto Alegre para a que seria a primeira viagem do grupo para fora do Ceará.

"Meu pai sempre dizia que a banda ainda ia fazer muito sucesso e ganhar o mundo. Essa banda era a vida dele e a única coisa que ele pediu era que a gente não deixasse ela se acabar. E não vai se acabar não. Enquanto tiver um Aniceto, o folclore não se acaba", promete, lembrando que não conseguiram ficar sem tocar nem quando o pai morreu. "Teve luto não. Era chorando e tocando". De fato, a banda já tem sucessores. São sobrinhos e netos da atual geração, que já ensaiam e se apresentam há oito anos como banda cabaçal mirim.

De Portugal, os Irmãos Aniceto seguem para Fortaleza, onde se apresentam no dia 16. Em julho, têm performances agendadas no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Recife. Mas a rotina dos artistas não se resume apenas aos palcos. Entre uma apresentação e outra, o que eles gostam mesmo é de voltar para casa e trabalhar na roça.

"Nossa função é a cultura, mas não dá para viver só dela. E gostamos de plantar, colher. Na volta agora, antes do show de Fortaleza, vamos colher o arroz que deixamos lá no ponto de tirar. A safra desse ano foi boa demais. Vai ter fartura", comemora o artista, titulado mestre da cultura pelo Estado.

O irmão mais velho, mestre Antônio Aniceto, 78 anos, concorda. Fora da banda, ele também planta, toca violão, sanfona, pandeiro, banjo e ainda faz poesias (nenhuma registrada, guardadas apenas na memória). "Nossa banda é alegria, é simpatia". Os Irmãos Aniceto nunca tiveram aula de música e "é aí que está a cultura", diz mestre Antônio. Ele garante conseguir atingir uma tonalidade no pífano "capaz de fazer o mundo ficar torto".

Perguntado sobre os artistas que gostam de ouvir, mestre Antônio foge de confusão. "Ouço tudo. Música boa e música ruim. Gosto de tudo. Coisa ruim no mundo é gente derrubando os outros", declara, numa atitude que não se vê no mundo do showbizz, onde o que vende é polêmica.

Todas as manhãs, desde que desembarcaram em Coimbra, os Irmãos têm ensaiado no terraço do hotel onde estão hospedados, no bairro de São José. Mas não é pelo treino, garantem. "É para passar o frio", explica mestre Antônio.

Seu José Aniceto acertou quanto ao sucesso da banda que criou - uma volta com os irmãos pelas ruas de Coimbra não deixa dúvidas quanto a isso; todos querem tirar fotos e ouvir que som dos pífanos de taboca boio que eles mesmos fazem. Não importa: em qualquer que seja o Crato, em Fortaleza, Paris ou Coimbra, os Irmãos Aniceto são os popstars da cultura, da alegria e da simpatia.

Mostra
Ontem, a programação da Mostra do Sesc contou com apresentações do grupo Tato Criações Cênicas, da Cia Teatral Anônimos e da Cia Bonifrates. Além disso, o poeta Ermano Morais mostrou o seu recital "Nove Sumanas e Meia de Xamego - uma odisseia no mêi dos mato". À noite, o encerramento ficou por conta de grupos portugueses de cordas e fados. Hoje, o carioca Júlio Adrião apresentou o monólogo "A Descoberta das Américas". Fechando a programação, a festa Farra na Terra Alheia, com o DJ Rodrigo Fuser. O repórter viajou a Portugal a convite do Sesc - CE

Programação
Quinta-feira (9)
10h, na Escola Quinta das Lágrimas: workshops (oficinas) de música e literatura brasileira e de cinema português

16h, no Teatro Acadêmico Gil Vicente: apresentação do espetáculo "E Se...", com a Cia. Tato Criações Cênicas (BR)

17h, no Largo da Portagem: apresentação do espetáculo "InConserto"

18h, na Casa da Escrita: Sesc Cordel e Poesia com Hermano Morais (Secção de Escrita e Leitura) e lançamento de livro

19h, na Praça 8 de Maio: cortejo com Irmãos Aniceto

21h30, no Teatro Acadêmico Gil Vicente: apresentação do espetáculo "A Descoberta das Américas"

23h, no Jardin da AAC: Núcleo de Audiovisual

0h, no Jardin AAC: show musical com Consiglia Latorre e "Farra em Terra Alheia" com o DJ Guga de Castro e Dj de Portugal

FILIPE PALÁCIO*
ENVIADO A COIMBRA

O POVO Online - Vida e Arte - Um bocadinho interessante de gente

O POVO Online - Vida e Arte - Um bocadinho interessante de gente


A moçada da banda Dr. Raiz tomou de conta dos jardins da Associação Acadêmica e estreou de vez a Mostra Sesc Luso Brasileira de Culturas. Formado em 1998, o grupo deu uma pausa ali por volta de 2008, mas mostrou que, apesar dos pesares, continua com uma batida da melhor qualidade. “A banda parou, mas não parou. A Dr. Raiz está hoje como um desdobramento do meu trabalho independente e também no trabalho autoral dos outros integrantes. A gente não tem a pretensão de retomar, mas o espetáculo é tão importante para a gente, que é sempre um prazer poder apresentar”, explicou o vocalista Geraldo Júnior, o Boca.

Com um único CD lançado, a Dr. Raiz é prova viva de um Cariri urbano e cada vez mais efervescente. Boca, Dudé, Pantera, Evaldo, Júnior, Ramon e Ranier tocam na base da mistura. “A gente se conhece desde cedo, somos amigos. Na fase do rock’n roll, a gente também tinha outros gostos. Ouvia Luiz Gonzaga, Alceu. Tinha também a história do mangue beat, Chico Science & Nação Zumbi. Então, a gente decidiu ver como podia misturar todas essas referências, dando um destaque maior para os ritmos nossos, do Cariri”, lembra Boca. Entre guitarras, sanfonas e zabumbas, a mistura revelou grande força. Com apresentações memoráveis nas edições locais da Mostra Sesc Cariri, a Dr. Raiz, nesse ensaio de retomada, deixou Coimbra com os dentes à mostra.

“Foi uma alegria imensa a receptividade do nosso trabalho. De certa forma, estava meio que todo mundo preocupado se o evento ia ou não conseguir público e a gente conseguiu reunir uma galera interessante para o nosso show. A gente saiu do palco muito feliz, com a certeza de que a Mostra Luso Brasileira, de fato, tinha começado”, comentou Geraldo Júnior. Basta dizer que a apresentação teve direito a bis e manteve intensa a movimentação da Associação Acadêmica até altas horas. A ressaltar: como era de se esperar, não faltou cearense perdido no mundo que veio se encontrar por aqui. Houve até uns gritos de “queima, Coimbra”, no melhor cearensês, empolgando um pouco mais o evento que segue até hoje.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As Santas Cores de Antônio

Padre Cícero e a Educação Ambiental


Daniel Walker  - walker@baydejbc.com.br  
BIÓLOGO, PROFESSOR ADJUNTO DA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI-URCA
Educação Ambiental “é o processo de aprendizagem e o instrumento de formação de uma consciência ecológica, através do conhecimento e da reflexão sobre a realidade ambiental". Mas a conceituação de Educação Ambiental ainda não está completamente consolidada em nosso meio.  Talvez por sua curta história e por sofrer a influência de diversos setores do conhecimento, a sua definição continua sendo considerada  como um processo.
Há pessoas que  não sabem distinguir os termos conservar e preservar. Pela legislação brasileira, conservar implica em manejar, usar com cuidado, manter; enquanto que preservar é mais restritivo, e significa, não usar ou não permitir qualquer intervenção humana significativa.
O Brasil por certo ainda tem muito que aprender na área de Educação Ambiental. A formação de uma consciência ecológica demanda muito tempo. E sem consciência ecológica a Educação Ambiental não prospera.  Antes de mais nada, é preciso que as pessoas adquiram através do saber uma compreensão essencial do meio ambiente global e dos problemas a ele afetos, bem com o papel que cada uma desempenha.  Por conta do saber vêm a mudança de comportamento - a qual implica em adquirir o real sentido dos valores sociais -, o senso de responsabilidade que desencadeia a vontade de zelar pelo meio ambiente, e a competência para solucionar os problemas ambientais.
Nos países do Primeiro Mundo a Educação Ambiental evoluiu bastante, mas somente depois que os problemas sociais foram resolvidos.  Aqui, ainda é preciso se fazer muito  para resolver os nossos problemas sociais.  E, é claro, são inúmeros, como ocorre em todas as nações pobres do mundo. Entretanto, não é mais possível se perder tempo. O jeito, então, é se fazer as duas coisas simultaneamente.
O Governo está no momento implementando uma reforma no ensino em que a Educação Ambiental já começa a ser vista logo no Ensino Fundamental, dentro do que se convencionou chamar de Temas Transversais, parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN.
A experiência mostra que não é preciso se ter muita escolaridade para praticar a Educação Ambiental, pois os índios, apesar do seu primitivismo,  sempre se revelaram como os mais autênticos defensores e respeitadores da Natureza. Com efeito, sem que ninguém lhes ensinasse, eles sempre evitaram, por exemplo, a caça e a pesca predatórias, e cuidaram de seu ambiente.  A convivência direta com a Natureza certamente contribuiu para que eles despertassem para uma conscientização ecológica. Assim, sem ter o que as pessoas da cidade chamam de cultura, os índios se destacaram como exímios administradores do meio ambiente, sem, contudo, deixar de executar suas  funções básicas de subsistência, como caçar e pescar, atividades desenvolvidas de forma racional e, portanto,  causando o mínimo de desequilíbrio ecológico, nada que a Natureza não possa restaurar em pouco tempo.
Já o homem urbano, mesmo aquele  dotado de escolaridade apreciável e possuidor de sólida cultura, tem  se  mostrado indiferente à conscientização ecológica, comportando-se como um cruel depredador do seu ambiente, e personificando um péssimo exemplo de gerente e usuário da Natureza. Na verdade, ele fez tudo o que não devia: contaminou o ar, poluiu as águas, extinguiu espécies de seres vivos e empobreceu o solo, provocando, desta maneira, o surgimento de catástrofes que não pode evitar, de doenças que não pode curar, de alterações climáticas que não pode controlar, e, finalmente,  pôs em risco sua própria sobrevivência.  O homem urbano tornou seu planeta insuportável para se viver.
E isto é profundamente lamentável, decepcionante até, pois, de todos os seres vivos criados por Deus, coube justamente ao homem - o chamado Homo  sapiens - o privilégio de ser o administrador da Natureza, função na qual se revelou um verdadeiro desastre!
É oportuno salientar que a prática e a difusão da Educação Ambiental não são privilégios dos biólogos, mas dever do Estado e de todo cidadão, independentemente de sua formação escolar. Cada um deve agir como um ambientalista, um defensor e amante  da Natureza. O poder Público precisa tomar consciência de que tarefas como a limpeza das vias públicas, a conservação das praças, arborização, controle de vetores de doenças, entre outras, devem ser praticadas rotineiramente; e o povo, por sua vez, precisa incorporar à sua prática diária a abolição de maus hábitos, como fumar em recintos de aglomeração humana, jogar lixo nas ruas, pichar muros, ouvir música com som em alto volume, criar animais em cativeiro, praticar o comércio clandestino de animais, desperdiçar água e energia, usar abusivamente agrotóxicos e inseticidas domésticos, etc., atitudes que agridem as pessoas e a Natureza e só contribuem para a disseminação da deseducação ambiental.
Mas de todas as atitudes que denotam falta de Educação Ambiental, nenhuma caracteriza exemplo mais imperdoável do que o péssimo hábito que muitos brasileiros têm de jogar lixo nas ruas.  Todos estão racionalmente conscientes dos males causados pelo lixo, mas, como não estão emocionalmente envolvidos  persistem nesse mau hábito.
E este é um problema ecológico de fácil solução porque o passo decisivo é de competência e iniciativa da própria pessoa causadora do problema.  Se cada indivíduo recolhesse seu lixo doméstico diário e o acondicionasse em sacos, separando-o pela natureza do material (vidro, papel, metal e orgânico), ele  não sujaria o ambiente, não provocaria poluição odorífica, não atrairia insetos e facilitaria a coleta pelo Serviço de Limpeza Pública.
Em algumas cidades brasileiras do sul e sudeste o lixo já vem sendo acondicionado em sacos e separados pela natureza do material. Esse bom exemplo precisa ser expandido para todo o País, pois como diz o conhecido  slogan: Cidade limpa, povo sadio.
Outra questão importante em Educação Ambiental é a necessidade de se conhecer as riquezas ecológicas do lugar. No Cariri, é dever de toda a população conhecer a Floresta Nacional Araripe e os outros patrimônios que ela encerra, representados pelas fontes de água, pela fauna e pela flora existentes em Crato, Barbalha, Jardim, etc. Conhecer e zelar. É importante, por  exemplo, saber que a Floresta Nacional Araripe foi a primeira criada oficialmente no Brasil, no dia 2 de maio de 1946, e o que ela representa  para o nosso ambiente.
Já é tempo de se deixar de lado a idéia errônea de que cuidar da Natureza é responsabilidade do Governo somente.  As escolas precisam assumir com muita determinação, e não  apenas como atividade pedagógica, a missão de difundir entre os  seus alunos os propósitos da Educação Ambiental para fomentar no meio da  juventude o respeito à Natureza, ponto de  partida para a formação de uma consciência ecológica sólida. E cada cidadão, individualmente, deve fazer a sua parte em favor da ecologia. Só através da ação integrada do governo e da população é que teremos um ambiente de fato saudável.
É até possível justificar porque só recentemente os problemas ambientais passaram a fazer parte da pauta das discussões prioritárias da comunidade.  Primeiro, porque durante muito tempo eles permaneceram restrito  ao seleto grupo dos biólogos e cientistas. Depois, porque as autoridades e o povo em geral se acomodaram, esperando  que a ciência resolvesse tudo sozinha. O comodismo a que todos se lançaram só fez foi agravar a situação.
  Mas nem sempre foi  assim.  No Cariri, há mais de cem anos, quando ninguém falava em  ecologia, o Padre Cícero - como extraordinário homem de vanguarda que foi -, se antecipava e ensinava preceitos ecológicos aos romeiros.  Eram coisas simples, como "não derrubem o mato; não toquem fogo no roçado; deixem os animais viverem; não matem os passarinhos; utilizem as plantas medicinais”, mas que surtiam um grande efeito. Essa iniciativa de Padre Cícero, hoje largamente disseminada no Nordeste, foi elogiada por  ecologistas de renome, como o professor J. Vasconcellos Sobrinho, no seu livro Catecismo de Ecologia (Vozes, 1982) e Dr. Rubens Ricupero, ex-ministro do Meio Ambiente, o qual, em artigo publicado no jornal O Globo (19.01.94) disse que Padre Cícero "pregou em pleno sertão nordestino a palavra que hoje a consciência ambiental a duras penas começa a inscrever na nossa visão de mundo. Muito antes de que se realizasse a I Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, em 1972, ele teve essa percepção aguda de algo que constitui antes de tudo um interesse legítimo, identificado por quem está  próximo da realidade".
Padre Cícero deu, portanto,  o primeiro passo... há mais de cem anos! Foi, na verdade, um pioneiro da ecologia no Cariri. Pode-se dizer que ele prestou uma importante contribuição para alicerçar a Educação Ambiental em nossa Região.
Agora é com a gente.
 

PRECEITOS ECOLÓGICOS DE PADRE CÍCERO

 
-         Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau
-         Não toque fogo no roçado nem na caatinga
-         Não cace mais e deixe os bichos viverem
-         Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer
-         Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza
-         Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva
-         Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta
-         Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só
-         Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca
-         Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gato melhorando e o povo terá sempre o que comer
-         Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai vivar um deserto só.